terça-feira, 5 de novembro de 2013

Finados

O dia de finados é, naturalmente, um dia triste, um dia de saudades. É um dia de preces, flores, lembranças, lágrimas... Mas é um dia de carinho, amor, cuidado e esperança.


Sempre vi na tevê as multidões que lotam os cemitérios no dia dois de novembro, que saem de casa no sol quente (ou sob chuva), que enfrentam engarrafamentos, estacionamentos lotados, mil barracas vendendo flores e vão visitar seus falecidos, prestar suas homenagens e rezar por suas almas. Eu nunca tinha feito isso, nunca tinha ido a um cemitério no Dia de Finados. 

Este ano eu fui, não só para participar da missa ou para rezar pelos meus avós e tios que estão enterrados em Brasília, mas também para fotografar. Entretanto, a morte é uma realidade tão intensa, tão certa, que não é fácil falar dela, não é fácil encará-la e também não é fácil fotografá-la. Nem ela e nem os seus efeitos.

Dizem que o mundo de hoje não sabe mais como lidar com a morte, mas me pergunto se, em algum momento da história, isso já foi fácil um dia. E não estou falando da questão religiosa, pois como cristão tenho a certeza de que, depois da morte, há realmente um reino de glória para nós. Estou falando da questão humana, da morte como trauma que rouba aqueles que amamos, que provoca dor, tristeza, choro e saudade, muita saudade. Pois mesmo quando temos fé, ainda assim é muito difícil, muito duro. Acho que só sendo santo para ter serenidade nestes momentos.

Pois bem, neste ano, sai de casa, no sol, e, comigo, minha câmera e algumas dúvidas: o que vou fotografar? O que devo fotografar? O que vou encontrar no cemitério e como guardar essas imagens? Geralmente tenho algumas ideias do que fazer, mas neste dia não tinha nenhuma. Pensava em registrar a emoção das pessoas, mas me preocupava com a privacidade delas; pensei em aproveitar as multidões, me sentar num canto e fotografar meio que invisível no meio de todos. 

Só que não foi bem assim. O acaso decidiu por mim já que, como era no meio da tarde, o cemitério já estava bem mais vazio e acabei por fotografar algo que não esperava uma vez que não encontrei um monte de pessoas. Naquela tarde tinha apenas pessoas, espalhadas, sentadas, caminhando, rezando, conversando baixinho junto aos túmulos; tinhas apenas pessoas. 


Isso mexeu comigo e me fez agir diferente: não pensei para fotografar. Apenas fotografei.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Um dia de bike

Em 22 de setembro, comemorou-se o Dia Mundial sem Carro. Então, foi dia de pedalar, de sair da 116 Sul e seguir até a 109 Norte. Na mochila, muita água, uma maçã e a máquina fotográfica...



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Neste dia, cerca de 500 pessoas participaram, no Eixão do Lazer, do 1º Passeio Ciclístico da Primavera, em comemoração ao Dia Mundial sem Carro. Foram 12 km, sob sol quente, da 108 Norte até a 106 Sul, ida e volta. O passeio, uma iniciativa do Correio Braziliense e da ONG Rodas da Paz, teve como tema "Mais amor, menos motor" e foi uma oportunidade para todos se unirem em torno de um trânsito mais gentil e para cobrar melhorias na mobilidade urbana, especialmente na sinalização e no transporte público. 

No meu ver, iniciativas como essa são muito bem vindas, mas é preciso mais, muito mais já que não basta somente deixar o carro em casa e querer usar outras formas locomoção, como bicicleta, ônibus ou metrô. O Brasil não possui políticas públicas que apoiem a utilização de transportes alternativos ao automóvel. Fica difícil querer ser diferente sem que o Estado e a Sociedade colaborem. Não é impossível, mas muito difícil.

Em Brasília então, a realidade é completamente diferente, pois apesar da implantação de ciclovias na área central - que ainda estão mal sinalizadas, não há grandes alternativas ao uso do carro. O metrô é limitado, os ônibus não possuem qualidade nem regularidade e ainda linhas sobrecarregadas ou inadequadas. Apesar dos problemas de engarrafamentos ou de estacionamento, ainda é mais confortável usar o carro para ir ao trabalho ou para as atividades do dia-a-dia como, por exemplo, ir a padaria. Faltam condições para as pessoas fazerem pequenos percursos a pé ou de bicicleta. Junte-se a isso as condições climáticas do Planalto Central, de sol, calor e baixa umidade numa parte do ano e de chuva na outra. 

Mas, neste Dia sem Carro, aproveitei não só para pedalar por prazer, como para fotografar. Antes de chegar na concentração do passeio, parei por um tempo no Buraco do Tatu, onde fiz algumas fotos experimentais. Na concentração, mais fotos do pessoal que lá estava. Confira: