quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eis a Primavera!

O tempo das flores se faz presente e com ele a alegria, a cor e a vida. O frio se foi, a seca em alguns lugares dá lugar ao verde que nasce da chuva e o perfume, o frescor e o canto da estação nos envolvem. É a hora dos românticos e dos poetas, a hora do amor.

Poesia a parte, a primavera é uma aventura à fotografia e um convite a flanar. Qualquer que seja o caminho que tomamos, na cidade ou no campo, imagens infinitas surgem à nossa frente e à nossa câmera. Corremos o risco de nos inebriar com a variedade e a diversidade de temas e nos perder em contemplação e nada fazer e voltar para casa sem fotos, mas com muitas imagens.

Aproveitemos a primavera, vamos às fotos, vamos às ruas, vamos aos campos. Vamos fotografar, vamos passear, conversar, namorar, amar; vamos viver e sorrir e rir por aí. Vamos ao encontro da alegria e assim nos alegrar, que a cor nos envolva e coloridos nos tornemos, que nossos sentidos se façam um só e que nosso olhar perceba o mundo e o leva para todo mundo.

Chega de palavras, deixemos as fotos falarem por nós!







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Outras fotos em

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Mas num cemitério?

Sim, porque não? O mundo de hoje morre de medo da morte (perdão pelo trocadilho) e assim só vai cemitério arrastado e em último caso. E assim vemos túmulos abandonados, mal cuidados e largados ao Deus dará. E triste ver a situação de alguns cemitérios. Mas não tenho medo de cemitério, pois tenho fé que a morte é o caminho para o encontro definitivo com Deus.

Então, sim, fotografo em cemitério às vezes. Reconheço que nunca saí pensando “hoje vou fotografar túmulos”, mas quando surge a oportunidade não deixo passar. E aqui temos duas situações dessas.

Essa foto, mais recente, tirei em Trancoso-BA. Chamou-me atenção o estado do pequeno cemitério dentro do Quadrado, atrás da Igreja de São João Batista. Tudo muito simples, poucos túmulos de concreto caiados, cruzes de madeira sem muitos ornamentos, algumas fincadas diretamente na terra nua. Em um dos túmulos, uma das travas da cruz se foi ficando somente a estaca presa no chão. Sei que não é uma imagem linda, mas é interessante por retratar um pouco de como vemos os mortos hoje em dia. Contudo, temos que fazer justiça, pois diferentes de muitos cemitérios por aí, este estava limpo e sem mato, algumas tumbas com flores ou recém pintadas. Isso mostra que ainda existem pessoas cuidadosas com os seus falecidos.

A outra foto foi tirada em Nova Petrópolis-RS, no Parque Aldeia do Imigrante. Dentro do parque há uma aldeia representando uma comunidade de imigrantes alemães com casas, igreja, escola e até um cemitério. Não sei se são apenas cruzes e lajes removidas de outros lugares (como os demais edifícios) ou se realmente temos alguém enterrado ali. Não importa. O que chama a atenção é o estilo do cemitério em si: sepulturas mais elaboradas, cruzes mais distintas, tudo em pedra ou mármore. É claro que por ser um museu tudo está muito bem cuidado, mas é importante pra conhecermos o cuidado e a preocupação de outras épocas com os mortos e comparar com os dias de hoje.

Muitos cemitérios por aí transformaram em comércio, onde cada m2 é valioso e só nos faltam enterrar em pé. Nesses tudo aparentemente é bem cuidado, mas me parecerem estéreis. Outros, dá até medo de morrer e ir morar ali.

Dá pra pensar...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Olhar Felino

Em um passeio por São Paulo, encontro o Lion de olho em umas pombinhas crente que ia poder fazer uma lanchinho reforçado... Quanta ilusão coitado!

Eu e minha esposa temos o costume de viajar no Carnaval para cidades que fogem do Carnaval, por assim dizer. São Paulo é uma delas. Durantes os festejos de Momo, Sampa fica vazia e aberta a passeios e diversões. Podemos ir ao teatro, ver exposições, andar pela cidade e fazer compras sem muitas preocupações e problemas comuns do dia-a-dia.

Pois bem, neste dia fomos às compras, mais precisamente ao Bom Retiro. Era terça de Carnaval e a cidade estava às moscas, literalmente. Aquela região, que é movimentada por natureza, cheia de lojas e sacoleiros o dia todo, estava vazia e como que abandonada naquele dia. Lojas fechadas, lixo nas esquinas a espera do caminhão, uma ou outra pessoa a andar por ali. E nós, é claro.

Eu estava até contente, pois íamos poder ir a outros lugares, mas não é que minha esposa achou uma loja aberta. Lá se foram cerca de horas de relógio, como dizem os baianos. Ela e minha cunhada se esbaldaram em roupas e roupas e a mim restou apenas fotografar. Foi aí que o Lion deu o ar da graça.

Lion é o gatinho (se é que podemos de chamar de gatinho um animal de quase 5 quilos) da loja. Ele fica de bobeira o dia inteiro por ali, geralmente nos fundos, mas como era feriado, ele estava à porta feliz da vida e cheio de preguiça. Sua diversão consistia em tomar sol, apreciar o movimento e secar as pombinhas que mexiam no lixo. Eu não deixei barato e fiz do Lion meu modelo do dia.

Foto pra lá, foto pra cá, o tempo passou e finalmente as mulheres terminaram as compras. Fui embora com minhas fotos e o Lion ficou lá, certamente a pensar como seria uma pombinha no lanchinho da manhã.

Outras fotos em http://www.flickr.com/photos/anderson_mendanha/

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Lambança

Junte uma criança, um tomate e uma fome daquelas bem gostosas que dá antes do almoço. E o que você tem? Lambança.

Esta é minha sobrinha, a Cacá. Ela tinha pouco mais de um ano nesta foto. Até essa época, ela posava numa boa pra gente, até gostava quando levantávamos a câmera. Hoje... ela vira de cara amarrada e já vai dizendo: nnnããããoooooo...

Tem coisa mais gostosa do que fotografar criança fazendo lambança? Quando estão comendo, elas fazem uma bagunça, sujam tudo, comem, bebem, cospem - nem sempre nesta seqüência, é verdade – e se divertem. E nós, tios fotógrafos, nos divertimos juntos com as bebezuras deles. É sempre garantia de fotos no mínimo interessante e, quase sempre, fantásticas.

Nesse dia, a Cacá tava bem boazinha, só que numa fome! Nunca vi uma criança gostar tanto de tomate quanto ela. Então, dá-lhe tomate. Foi uma festa. Dela e minha, é claro. Lambança de um lado, foto do outro.

O que mais gostei dessa foto foi o olhar que a lente captou. É um olhar bem próprio das crianças, cheio de ingenuidade e de confiança. Acho bem interessante o reflexo dentro do olho dela, dá pra me ver ali.

E não poderia deixar de destacar também o estado do tomate. Ela segura de uma forma pouco comum e tem tomate em tudo que é lugar: no nariz, na mão, debaixo das unhas e até na boca. E esse tomate parece que tava gostoso. Tem até gente que disse que ficou morrendo de vontade de comer tomate também.

Pra mim, a vontade foi de fazer lambança também!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Desejo

Essa é uma das minhas fotos mais antigas. Assim que eu comprei minha primeira câmera, uma Fuji S7000, fui a São Paulo a passeio e lá flanei sem saber o que era flanar.
Sábado de manhã, Bairro da Liberdade, e eu lá com a máquina e um mundo à disposição. Fotografei um pouco das bancas, um pouco do lugar e, é claro, um pouco das pessoas. Foi quando percebi a pequena olhando para a chapa da barraca de yakissoba. Não deu tempo de nada... regulei apenas a velocidade e disparei. E saiu esta foto. Tentei outras, mas sabe como são as coisas. Geralmente só temos um tiro. Não consegui nenhuma outra foto além dessa.

Algumas pessoas reclamam da mão com o marmitex em destaque à direita, mas acho que ela compõem a cena e dá um ar de realidade. Para mim, talvez por orgulho do primeiro filho, a foto está perfeita assim, pois o olhar da menina nos diz tudo: "Ah! Que fome, que vontade de comer..."

E antes que alguém pergunte, não sei se ela comeu. Fiquei tão preocupado com a foto que ela desapareceu no meio da multidão e se foi... e nem se despediu. Espero que tenha se deliciado com o macarrão.

Flanar...

Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti de casaca aplaudirem o maior tenor do Lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até a sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja.

É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da Multidões, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes. É uma espécie de secreta à maneira de Sherlock Holmes, sem os inconvenientes dos secretas nacionais. Haveis de encontrá-lo numa bela noite numa noite muito feia. Não vos saberá dizer donde vem, que está a fazer, para onde vai. Pensareis decerto estar diante de um sujeito fatal? Coitado! O flâneur é o bonhomme possuidor de uma alma igualitária e risonha, falando aos notáveis e aos humildes com doçura, porque de ambos conhece a face misteriosa e cada vez mais se convence da inutilidade da cólera e da necessidade do perdão.

O flâneur é ingênuo quase sempre. Pára diante dos rolos, é o eterno "convidado do sereno" de todos os bailes, quer saber a história dos boleiros, admira-se simplesmente, e conhecendo cada rua, cada beco, cada viela, sabendo-lhe um pedaço da história, como se sabe a história dos amigos (quase sempre mal), acaba com a vaga idéia de que todo o espetáculo da cidade foi feito especialmente para seu gozo próprio. O balão que sobe ao meio-dia no Castelo, sobe para seu prazer; as bandas de música tocam nas praças para alegrá-lo; se num beco perdido há uma serenata com violões chorosos, a serenata e os violões estão ali para diverti-lo. E de tanto ver que os outros quase não podem entrever, o flâneur reflete. As observações foram guardadas na placa sensível do cérebro; as frases, os ditos, as cenas vibram-lhe no cortical. Quando o flâneur deduz, ei-lo a concluir uma lei magnífica por ser para seu uso exclusivo, ei-lo a psicologar, ei-lo a pintar os pensamentos, a fisionomia, a alma das ruas. E é então que haveis de pasmar da futilidade do mundo e da inconcebível futilidade dos pedestres da poesia de observação...

Paulo Barreto, o João do Rio
Em “A Rua”
Fonte: Academia Brasileira de Letras

Flanando por aí


Andar por aí, seja em férias ou à toa pela cidade, é sempre um prazer. Perambular é sempre muito bom e se o fazemos acompanhados de nossa máquina fotográfica, boas lembranças ficam gravadas não só em nossas mentes, mas também de forma concreta na fotografia. E essas andanças sempre geram boas histórias.

Pois bem, contar essas histórias e mostrar as imagens que resultaram dessas andanças é nossa primeira idéia. Outras idéias poderão vir, mas falar das fotos e das situações que a elas levaram fica em primeiro lugar, pois quantas vezes não nos sentimos curiosos quanto à história de uma foto? Quantas vezes não queremos saber mais sobre os bastidores daquela imagem?

É por aí que queremos ir, sem muitos planos ou idéias por onde seguir, nada muito pensado. Vamos deixar o espírito seguir por onde quiser soprar... Vamos às histórias...